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cristianismodealtorisco.jpg (11830 bytes)Curiosidades de Nada Mais que a Verdade

• O jornalista romeno Jean Mellé, fundador do Notícias Populares, passou 10 anos preso na Sibéria por ordens de Joseph Stalin, fazendo trabalhos forçados nas minas de carvão. Tudo porque, em 1947, soltou em seu jornal Momentul, de Bucareste, uma manchete contrária aos comunistas: "Russos estão roubando o pão do povo".

• Após ser liberado da Sibéria, Mellé desembarcou no Brasil em 1959 sem falar praticamente nenhuma palavra de português. Mesmo assim, por intermédio de um amigo romeno que estava no Brasil, conseguiu um emprego no Última Hora de Samuel Wainer. Menos de quatro anos depois, em associação com Herbert Levy (presidente da UDN e dono da Gazeta Mercantil), lança o Notícias Populares, com uma finalidade marcadamente política: o NP seria um vespertino anticomunista. Essa postura duraria até 1965, quando o golpe alivia a barra da UDN; Levy, então, vende o jornal para a dupla Octávio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho, da empresa Folha da Manhã. Mellé permanece como editor.

• Em certa ocasião, no ano de 1968, Mellé fez "desaparecer" o astro Roberto Carlos, que estava em Nova York. O diretor da TV Record informou a um repórter que não estava conseguindo contatar o Rei nos Estados Unidos; quando o jornalista levou a história à Mellé, este soltou a manchete: "Desapareceu Roberto Carlos". No dia seguinte, centenas e centenas de tietes cercaram a redação em busca de notícias sobre o ídolo. Revoltado, o diretor da Record exigia um desmentido, mas Mellé, no dia seguinte, apenas manchetou: "Acharam Roberto Carlos". Nos dois dias, o jornal vendeu quase 20.000 exemplares a mais, e Mellé manteve sua fama de mau.

• Em maio de 1975, o Notícias Populares publica a história do bebê-diabo, que viraria um marco no jornalismo brasileiro. Era uma cascata sobre o nascimento de um menino com chifres e rabo em São Bernardo do Campo; entretanto, o povo acreditou na história e o NP começou a inventar uma saga para o bebê-diabo. O caso permaneceu na primeira página do jornal por inacreditáveis 27 dias, nos quais pessoas ligavam para a redação jurando que viam o bebê-diabo e informando seu paradeiro. Após quase um mês de sucesso comercial e fracasso moral, a redação decidiu assassinar o assunto. O caso mostrou a confiança que o público tinha no NP. Mas a maior prova da força do jornal veio alguns dias depois: a redação recebeu o exemplar de um periódico pernambucano, que anunciava a chegada do bebê-diabo em Recife.

• Também importante para o Notícias Populares foi o título paulista de 1977 do Corinthians, que tirou o clube do jejum de 23 anos sem conquistas. Os torcedores disputavam a autoria da promessa mais absurda, que seria publicada pelo NP. A manchete de 23 de outubro de 1977 anunciava o vencedor: "Vou comer 23 sapos se o Corinthians ganhar". Era um fanático que prometia devorar os batráquios cozidos com alho e limão.

• O NP foi pioneiro na publicação de colunas destinadas a minorias, fossem elas religiosas ou étnicas. O jornal foi um dos primeiros a ter uma seção GLS, chamada "Espaço Gay", que estreou em novembro de 1983. Para marcar terreno, entretanto, os jornalistas fizeram questão de criar também a "Coluna do Machão". Na mesma página, ficava a também pioneira coluna "Tudo sobre sexo", uma das primeiras a abordar educação sexual em jornais brasileiros.

• A cobertura de Carnaval do NP sempre foi um caso à parte: até os leitores de outras publicações não resistiam às toneladas de fotos picantes tiradas pelos salões de São Paulo, com suas hilárias legendas. Exemplos: "San Chupança", "Dona Celu Lite", "Olívia Nílton João", "alisando o pandeiro", "de lanterna na mão", "limpando língua com Bombril". Edições como essas chegaram a vender mais de 200 mil exemplares na década de 80.

• Na época em que o Brasil acompanhava o calvário de Tancredo Neves, em 1984, o NP torcia junto para que o presidente escapasse da morte. Para azar da redação, Tancredo morreu após o fechamento da edição. Entretanto, pior que não poder noticiar a morte do presidente no dia seguinte foi ver o jornal chegar às bancas com uma manchete que mais parecia uma piada de mau gosto. Com o presidente já no IML, o jornal anunciava na primeira página: "Médico americano quer Tancredo mais gelado". Era a tentativa de controlar a hipotermia do paciente – quando este ainda estava vivo, obviamente.

• Em 1990, o Notícias Populares recebe uma injeção de sexo e sensacionalismo. Algumas manchetes publicadas nessa época: "Bicha põe rosquinha no seguro", "Aumento de merda na poupança", "Broxa torra o pênis na tomada", "A morte não usa calcinha". É dessa época também a manchete mais hardcore da história do NP: "Churrasco de vagina no rodízio do sexo".

• Em 1994, o Notícias Populares enviou Zé do Caixão para fazer a cobertura do GP Brasil de Fórmula 1. O Senhor das Trevas chamou tanto a atenção no primeiro dia dos treinos que a Associação dos Construtores cassou sua credencial. O NP não se conformou com a decisão. Na reclamação, acabou sobrando para Michael Schumacher: "Até o Schumacher, que costuma ser muito fresco, adorou o nosso convidado especial".

• A grande gafe do Zé do Caixão, entretanto, foi aparecer em uma foto "benzendo" o carro de Roland Ratzemberger. No texto, ele avisava que tinha exorcizado a Simtek do piloto com "a força das trevas". Naquele fim de semana, Ratzemberger nem se classificou para a largada do GP Brasil; menos de dois meses depois, o piloto sofreria um acidente em Imola e acabaria morrendo a bordo da Simtek.

• Com o lançamento do jornal Agora, em 1999, pela mesma empresa que o editava, o NP foi desprestigiado. Sem dinheiro para melhorar sua estrutura ou grandes campanhas, a redação começou a fazer milagre com a minguada verba que era reservada ao jornal. Destaque para algumas chamadas para promoções de loterias ("Compre um presentão para a mulher da sua vida. Mas não esqueça a lembrancinha de sua esposa") e para o concurso que sortearia uma van de cachorro-quente ("O NP arranja a perua e você entra com a salsicha").

• O livro Nada mais que a verdade também revela, em primeira mão, a verdadeira identidade de Voltaire de Souza, cronista que começou a escrever para o NP em 1990 e foi "promovido" na empresa Folha da Manhã, passando a assinar uma coluna no caderno "Ilustrada" da Folha da Manhã.

Nada Mais que a Verdade
A extraordinária história do jornal Notícias Populares

Autores: Celso de Campos Jr., Denis Moreira, Giancarlo Lepiani e Maik Rene Lima
Prefácio: Marcelo Coelho

Editora: Carrenho Editorial
ISBN: 85-88371-02-2
Formato: 16 x 23 cm
Nº páginas: 280
Preço: R$ 32

Mais informações:

Cida Cândido Assessoria de Imprensa: (11) 3255-8993, (11) 9994-3320, cida.candido@terra.com.br

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