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São Paulo Naquele Tempo (1895 -1915) é um dos mais importantes e celebrados clássicos da memória e da crônica histórica da cidade de São Paulo. Nesta obra, o autor registra suas lembranças de infância e juventude em crônicas leves, irreverentes e bem humoradas, que nos fazem saborear "aquele tempo" com o frescor e a verossimilhança de quem viveu a atmosfera de um dia qualquer entre os anos de 1895 e 1915, e nas quais a personagem principal revela-se a cidade de São Paulo. Editado pela primeira vez em 1957, o livro tem sido uma destas raridades que passa de mão em mão, criando vínculos e trocas entre aqueles que o lêem. Mais do que objeto de culto entre memorialistas, São Paulo Naquele Tempo é uma obra indispensável aos que querem conhecer as transformações da capital paulista nos últimos anos do século XIX e primeiras décadas do século XX, incluindo as anedotas, as curiosidades e as insignificâncias. Sobretudo, a crônica de Jorge Americano fala ao leitor atual, de todas as idades (e cidades!), contando memórias, histórias e ficções paulistanas e revelando possibilidades urbanas e sociais que a São Paulo de hoje uma das maiores e mais importantes metrópoles do mundo precisa reinventar. Das memórias de infância na Escola Modelo Caetano de Campos aos bancos da Faculdade de Direito, da vida "reclusa" aos primeiros passos como cidadão pela cidade, o autor registra a vida miúda da cidade. Das ruas, captura os barulhos, sons e cheiros, desde aqueles que se destacam numa noite singular de "insônia" até outros que marcaram a vida diurna e noturna de sua infância. Pelas ruas também desfilam a diversidade dos habitantes, os tipos populares, os mascates e jornaleiros. Do passado em forma de lembranças surgem também os grandes momentos históricos e as transformações da cidade, misturados aos pequenos fatos do dia de uma capital que vai deixando de ser acanhada. "Aqueles tempos" nos remetem à reflexão acerca de um momento histórico da cidade, em que a coexistência de tempos antigo e moderno, aspectos coloniais e o caráter de cidade se transformando em metrópole não escapam ao registro sensível do memorialista. Ladeiras, becos, largos e antigas construções ocupam os mesmos parágrafos que as novas avenidas e modernos edifícios. Junto aos textos, Jorge Americano inseriu pequenas ilustrações que nos permitem visualizar detalhes de acontecimentos, objetos de uso e lugares por vezes já desaparecidos da capital paulista.
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