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Após ser confinado por Stalin durante dez anos nas minas de carvão da Sibéria, um jornalista romeno desembarca em São Paulo em 1959 para fugir dos fantasmas da perseguição comunista. Menos de cinco anos depois, acuado pelas próprias lembranças, o ex-preso político alia-se a um conservador parlamentar paulistano e cria uma arma para contra-atacar o Última Hora, jornal que ambos consideravam o grande veículo de propaganda esquerdista no País. Somente um improvável e quase ficcional enredo como esse poderia explicar a origem do Notícias Populares, o mais intrigante dos periódicos da história do jornalismo brasileiro. Desde seu lançamento, em outubro de 63, a publicação sempre conviveu com a admiração do povo e com a perseguição dos eternos paladinos da moralidade. Estes finalmente alcançaram seu objetivo em janeiro de 2001, quando uma execução sumária, levada a cabo por uma decisão empresarial, acabaria por tirar definitivamente o velho NP de circulação. Nada mais que a verdade conduz o leitor em uma viagem pelos 37 anos de vida do polêmico periódico paulista, também conhecido por muitos como o "espreme que sai sangue". Mais que um importante documento para a memória do jornalismo nacional, o livro é um surpreendente relato da relação de amor e ódio entre sociedade e Imprensa. Em outras palavras, um romance fantástico - que, se não fosse real, poderia muito bem ter forrado as páginas do Notícias Populares. -X-X-X- "Basta falar no Notícias Populares ou NP, para os íntimos que as pessoas começam a sorrir. Mesmo quem nunca abriu o jornal (precisava abrir?) ainda se lembra de casos como o do Bebê-Diabo, de algumas manchetes antológicas, como broxa torra o pênis na tomada, ou das suas orgiásticas edições de Carnaval. Esse sorriso paira em quase todas as páginas de Nada mais que a verdade, e é fácil imaginar o quanto Celso de Campos Jr., Denis Moreira, Giancarlo Lepiani e Maik Rene Lima se divertiram ao escrevê-lo. Mas, se tantas vezes o NP transformou tragédias reais em motivo de risada, este livro faz o percurso inverso. Todo o folclore em torno do jornal, que os autores recuperam generosamente, vai aos poucos se cobrindo de melancolia. O Notícias Populares foi fechado no dia 19 de janeiro de 2001, depois de quase quatro décadas de crimes, sexo, sobressaltos e desatinos. Morte por estrangulamento cujas circunstâncias, nada simples, os autores expõem com clareza e inconformismo." Do prefácio de Marcelo Coelho, colunista da Folha de S.Paulo "Da minha passagem pelo glorioso NP, lembro com carinho do dia em que falei com o patrão Jean Mellé, oficializando minha contratação. Ele abriu a porta-veneziana da sua sala, debruçada sobre o Largo do Gasômetro, e disse, em seu dialeto peculiar: Este estar segredo do jornalo: distribuiçon. E apontou-me uma flotilha de pickups Ford F-não-sei-o-quê. Ao juntar momentos como este, Nada mais que a verdade reconstrói a trajetória de um dos mais polêmicos jornais já produzidos no país, peça importante da imprensa brasileira na segunda metade do século XX." Tão Gomes Pinto, jornalista e ombudsman da revista Imprensa "Nada mais que a verdade ajuda a fluir toda riqueza produzida por este que foi sem dúvida um dos maiores jornais populares do Brasil. O Notícias Populares era um jornal de multidão, um jornal do povo, do povo todo incluído, do povo brasileiro. Foi um grande jornal por essa simples, óbvia e sempre sábia constatação. A iniciativa de registrar essa obra, que faz parte de nossa história, merece os parabéns." José Mojica Marins, o Zé do Caixão |
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