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Escritor, professor, memorialista, tradutor, organizador de coletâneas e enciclopédias, funcionário dos Correios e da Escola de Comércio Álvares Penteado, foram muitas as facetas profissionais de Jacob Penteado, que deixou uma obra marcante nos meios literários e históricos paulistas. Nascido em Sorocaba, interior de São Paulo, em 1900, Penteado viveu ainda criança em Buenos Aires, Argentina, e depois nos bairros do Bom Retiro e Belenzinho, em São Paulo. Fez carreira no Departamento de Correios e Telégrafos a partir de 1920, ingressando como auxiliar de carteiro e chegando a chefe do Departamento de Expressas e Telegramas. Como tese de concurso para oficial e postal-telegráfico, redigiu Os Correios e Telégrafos como Serviço de Natureza Industrial. Em 1963, escreveu Memórias de um Postalista, livro de memórias de sua trajetória nos Correios e ao mesmo tempo crônica da história desses serviços no país. Em 1924 ingressou também na Escola de Comércio Álvares Penteado, como bedel, foi professor e chegou ao posto de secretário geral da direção, o mais alto cargo administrativo desta tradicional instituição de ensino paulista fundada em 1902. Na Escola, foi secretário do Boletim da Fundação e da Revista da Faculdade de Ciências Econômicas. Segundo o Boletim da Fundação Álvares Penteado, de maio de 1959, referindo-se à sua aposentadoria nos Correios, "tendo-se revoltado contra os desmandos da ditadura em 1943, foi aposentado, com uma brilhante fé de ofício, pois desempenhou, no serviço federal, inúmeras comissões, em inquéritos administrativos, censura (durante a guerra), integrando bancas examinadoras de concursos". Já em 1935, Penteado engajara-se na campanha da Aliança Nacional Libertadora. Com a redemocratização do país em 1945, foi convidado a retornar aos Correios, mas então preferiu dedicar-se à literatura e ao professorado. Em ambas as instituições, nos Correios e na Escola de Comércio Álvares Penteado, Jacob Penteado foi muito mais do que um funcionário dedicado. Editou jornais e revistas, deu cursos e participou da vida sindical. Foi professor no Curso de Preparatórios e Aperfeiçoamento dos Correios e Telégrafos. Além disso, foi professor de francês e português em diversas escolas e muito atuante na vida jornalística, editorial e cultural da cidade. Foi redator das seguintes publicações: O Prego, O Arauto, A Classe, O Carteiro, Os 3 Valentes e Cine-Lar. Dirigiu as publicações Encantos e Garras da Lei, especializadas em questões penitenciárias. Mas foi a carreira literária, de escritor, tradutor e organizador de coletâneas e enciclopédias, que projetou Penteado e o tornou um dos mais importantes memorialistas de São Paulo no século 20. Ele organizou, traduziu e adaptou dezenas de livros, desde antologias de obras-primas da literatura infantil e de contos de terror ou policiais até uma edição da Bíblia, ilustrada, em cinco volumes. De sua própria autoria, Penteado deixou três obras obrigatórias. Além de Belènzinho 1910, vencedor do Prêmio Jabuti de 1962, e de Memórias de um Postalista (1963), escreveu Martins Fontes, uma alma livre, biografia do poeta santista e vencedor do Prêmio Jabuti de 1969 como melhor livro de memórias. Recebeu vários títulos e honrarias nacionais e internacionais, entre eles o título de Cidadão Paulistano em 1964. Ocupou a cadeira n° 13 da Academia Paulista de História e foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Fez parte também do conselho fiscal de várias empresas da capital paulista. Jacob Penteado representa, como ninguém, a trajetória de um escritor e memorialista que escrevia, pesquisava e traduzia com admirável dedicação, tornando as Letras um ofício, ao mesmo tempo que mantinha uma carreira profissional exemplar no serviço público e no ensino da cidade de São Paulo. Jacob Penteado faleceu em São Paulo em 1973.
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